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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Consulta Marcada #2 - Don

Oi pessoal. Esse é meu primeiro Consulta Marcada e espero que gostem! Desculpem a demora. Semana passada foi um tanto tumultuada para escrever. O paciente de hoje é o Don Tillman do livro O Projeto Rosie. Mês que vem posto a resenha dele! 

Quando um homem de mais ou menos 40 anos, com uma aparência mal cuidada, entrou em minha sala, achei que era um mendigo. Mas então, começou a falar e vi que se tratava de um homem extremamente inteligente. Ele vestia um suéter velho e uma calça mais velha ainda. No fundo era bonito, musculoso. Me lembrava Gregory Peck. Ele tinha marcado a consulta para 16h15 até 16h40. Fiquei bastante curiosa para saber porque marcar um horário tão especificado.
- Boa tarde Sr. Tillman. Pode se sentar, por favor.
Don Tillman se sentou na cadeira a minha frente, e foi dizendo sem mais delongas:
- Boa tarde Dra. Elizabeth. Minha consulta essa tarde se deve ao fato de que minha terapeuta não pôde me ajudar por motivos pessoais e lhe indicou como uma médica renomada por tratar seus pacientes com um certo diferencial.
- O senhor é geneticista não é? 
- Correto. Sou professor em uma universidade. 
Na mesma hora transformei a sala branca em uma sala de faculdade. Ele se assustou um pouco e foi até engraçado.
- Muito interessante seu método diferencial Doutora. Só não entendo como funciona. A Senhora possui um aparelho tecnológico bastante avançado.
- Em que posso lhe ajudar, Professor? - fui direto ao ponto, explicar o funcionamento dos meus poderes a um geneticista não parecia uma boa ideia.
- Algumas semanas atrás, pensando ser uma ideia apropriada, iniciei o Projeto Esposa. Criei um questionário com dados pessoais femininos que se adequavam no conceito da Esposa Perfeita e enviei para alguma candidatas. Por mais incrível que possa parecer, o Projeto Esposa não deu muito certo. As candidatas se mostraram inadequadas.
- Só um segundo Sr. Tillman - o interrompi para entender melhor - Está querendo dizer que fez um questionário para conhecer uma possível mulher para se casar? - ele assentiu de forma natural e disse "correto" - Como as "candidatas" reagiram?
- A abordagem do Projeto Esposa por sites de relacionamento até que não obteve resultados tão ruins. Muitas candidatas responderam o questionário sem ver problema nisso. Mas quando a bordagem se referia ao contato pessoal, o Projeto Esposa foi um fracasso. As candidatas não gostaram muito do questionário. Mas a questão é que nenhuma delas se adequavam ao modelo perfeito para mim. O que não entendo é porque.
Senti pena do pobre homem a minha frente. Por mais tolo que seja seu modo de pensar, ele acha realmente normal tratar as mulheres como se fossem projetos - descartáveis ou não, dependendo do que houver nesse tal questionário. E no fim, todas foram descartadas por não serem perfeitas aos seus olhos. Que tipo de homem é esse?
- Eu sei que minhas poucas habilidades sociais me prejudicam muito. E que meus horários e tabelas não são adequados para o modo de vida padrão. Mas será é isso mesmo? Ou será que sou eu que não sou compatível com as mulheres em geral?
- Hm, vejamos. Você talvez tenha começado de uma forma errada. Nenhuma mulher que se dê valor aceita numa boa ser subjugada a um questionário. Sem querer ofender Sr Tillman, você as tratou como objetos. E todas elas não foram aceitas por conter algum defeito normal, como qualquer outro ser humano. Talvez seu questionário seja muito exigente, não acha?
- De forma alguma tratei minhas candidatas como objetos! Elas seriam minhas futuras esposas! Apenas simplifiquei o que todas as outras pessoas fazem. Imagina se eu começasse um relacionamento com uma dessas candidatas e só no futuro descobrisse que ela fuma ou que só gosta de sorvete de damasco? Seria um enorme desperdício de tempo e decepcionaria os dois. Só reduzi todo esse esforço.
Fiquei chocada por um instante.
- Entendo - foi só o que consegui dizer.
O caso desse homem é pior do que eu pensava. Existe doido para tudo nesse mundo, pensei. Mas, pelo pouco que já vi, esse homem é um tanto perturbado mentalmente. É claro que não do modo louco, ele não tem nenhuma doença. É só um modo de vida diferente das pessoas consideradas normais. Então será que existe alguém capaz de amá-lo? Assim do jeito que ele é?
Vi que Don Tillman estava agitado, olhando ao redor da sala branca. Talvez procurando uma saída. Já devia ser 16h40.
- Bem, o que posso dizer a você é que talvez você esteja procurando um modelo perfeito que não existe. Uma mulher não gosta de ser analisada dessa forma. Talvez se você melhorasse um pouco suas habilidades sociais e esquecesse um pouco dos defeitos das mulheres, você finalmente encontraria alguém que se encaixe um pouco ao seu estilo de vida. Alguém que te aceite como você é. Isso sim seria perfeito. Pois só assim você poderia encontrar um sentimento verdadeiro para enfrentar todos os obstáculos que as diferenças nos proporcionam. O sentimento puro de um homem e uma mulher é a chave para um relacionamento funcionar. Lembre-se disso.
- Obrigado Doutora Elizabeth. Sua ajuda foi muito útil. A consulta acabou há alguns minutos, mas o tempo gasto não é um desperdícil completo. Tenha uma boa tarde. 
Don saiu sorridente de meu consultório e, por mais estranho que pareça, foi divertido conhecer alguém como ele, tão diferente. Espero que ele encontre alguém que o ame de verdade.

Por Jéssica Milena


A autora não tem nenhum conhecimento sobre psicologia e não usou nenhum recurso para a escrita do conto. Apenas sua imaginação.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Consulta Marcada #1 - Bella

     Oooooi gente! Então, como eu disse pra vocês, está ocorrendo algumas mudanças aqui no blog, e uma delas é de quarta-feira. Eu e a Jéssica criamos uma psicóloga, a Dra. Elizabeth Gandra. Ela viaja muito e tem uma sala "diferente" que vocês vão conhecendo no decorrer das consultas dela. A primeira paciente será a Bella Swan da saga Crepúsculo. Essa consulta ocorreu em Lua Nova, logo quando Edward foi embora e ela ficou toda depressiva. O pai dela mandou-a procurar um psicologo (pág 75) e ela acabou indo. Espero que gostem, comeeeeentem o que vocês acharam e deem sugestões de personagens de livros, históricos ou recentes, que vocês acham que estão precisando dar uma passadinha na Doutora. Beeeeijos pra vocês...

      Eram 16 horas de uma quarta-feira quando ouvi as batidas na porta. Há alguns dias, quando eu estava em Port Angeles, um homem me ligou querendo desesperadamente um horário para sua filha que estava sofrendo muito com o término do namoro. Achei bem típico, pais solteiros tem tendências a se preocuparem muito mais com esses problemas idiotas de adolescentes. 
     Estava em minha sala totalmente branca, onde não se via nada além da imensidão que parecia uma luz. Sentada em uma cadeira simples de madeira clara e á minha frente uma mesa e uma outra cadeira.
     Deixei-a entrar. 
     Na mesma hora entendi a preocupação de seu pai. Embora soubesse que era bonita, ela estava com uma aparência péssima. Sua pele muito pálida, com olheiras fundas e escura. Tinha cabelos sem brilho e olhar vazio.  
     - Sente-se - disse a ela.
     - Mas... - ela olhava em volta, vendo a imensidão branca. Dei de ombros e ela se sentou.  
     - Qual seu nome e idade querida? 
     - Bella Swan, 18 anos.
     - Izabella é um nome muito boni...
     Ela me interrompeu friamente. 
     -Só Bella, por favor! Qual é o seu? 
     - Claro! Elizabeth Gandra. Então, qual o motivo da sua vinda até aqui?
     - Meu pai quer me mandar para casa da minha mãe, em Jacksonville. Ele acha que estou "sem vida" e me mandou procurar um profissional. Não entendo muito de psicanálise, mas tenho certeza absoluta de que só funciona se o analisado for relativamente sincero. É claro que eu posso contar a verdade - se quiser passar o restante da minha vida em uma cela acolchoada. ( pág 75, 76)
     - Não te mandaria para uma cela acolchoada. Sei que qualquer um te diria isso apenas para você contar a verdade. Mas, se eu me revelasse para alguém, também me colocariam numa cela. Conheço o mundo de forma diferente, acredito em contos de fadas e histórias de terror. 
     Para mostrar que ela realmente poderia confiar em mim, transformei a sala branca na praia de La Push. De repente sua expressão vazia foi subsistida por surpresa.
     - Como você sabe ... - ela não terminou a frase, olhando para longe como se procurasse algo. 
     - Gosto da reserva, já te vi aqui algumas vezes. Não te incomoda eu ter transformado minha sala em uma praia?
     - Na verdade não.
     - Acha que pode me contar a verdade agora?
     - Acho que sim.
     Então ela me contou toda a história desde quando de mudou para a casa do pai em Forks. Quando e como conheceu "ele" e todos os "outros". De quando ela começou a amá-lo incondicionalmente e irrevogavelmente. E me contou também sobre ele e sua família serem vampiros. Tomando muito cuidado nas palavras que ela dizia, como se eu não soubesse sobre a existência de criaturas sobrenaturais.
     Depois de um tempo em silêncio, ela finalmente falou de quando "dele" foi embora. Mas hora nenhuma me disse o nome "dele". Ela dizia sentir um buraco enorme no peito, que se abria mais a medida que lembrava do que acontecera. Foi ai que comecei a entender o motivo dela estar dessa forma tão arrasada com sua partida. Fiquei encantada com a história, queria fazer alguma coisa por essa menina. Ela realmente o amava e "ele" a deixou. Mas diferente do que Bella achava, eu ainda acreditava que esse amor era recíproco. E partiu apenas para protegê-la.
     Mais silêncio, enquanto eu digeria a história que acabara de ouvir. Não me entenda mal, sempre ouvi histórias sobre vampiros, lobisomens, bruxas, anjos, e muitas outras criaturas. Claro que o fato dele ter partido me incomodava, mas o que mais mexeu comigo foi a capacidade imensa que os dois tem de se amar. Principalmente dela. Afinal, ele é um VAMPIRO! Ela devia ter medo, não amor!
     Mais silêncio, até que eu finalmente perguntei:
     - E como foi a partida dele? Como você se sentiu?
     "Quando ele partiu comecei a seguir para a floresta em sua procura. O sinal de sua passagem desapareceu de imediato. Não havia pegadas, as folhas estavam imóveis de novo, mas avancei sem pensar. Não podia agir de outro modo. Precisava continuar em movimento. Se parasse de procurar por ele, estaria tudo acabado. O amor, a vida, o significado... acabados.
     Andei e andei. O tempo não fazia sentido enquanto eu avançava bem devagar pelo denso bosque. Passavam-se horas, mas também apenas segundos. Talvez eu tivesse a impressão de que o tempo congelara porque a floresta parecia a mesma, independentemente da distância que eu percorresse.
     Por fim, dei uma topada em alguma coisa - agora estava escuro, eu não fazia ideia do que prendera meu pé - e caí.
     Naquela noite o céu estava completamente negro. Talvez não houvesse lua - um eclipse lunar, uma lua nova. Ficou escuro por um longo tempo antes que eu os ouvisse me chamando." (pág 61)
     - Tem quanto tempo que "ele" se foi?
     - Mais de quatro meses.
     - E nesses meses, o que você andou fazendo?
    - Não sei, é como se eu não vivesse, mando e-mails para Alice, a irmã dele, mas ela nunca me responde.
     - Você tem que sair, procurar fazer coisas que preencham o buraco que "ele" causou. Você tem que concentrar sua felicidade em você mesma, não dependa dos outros pra isso. Sei que vai ser difícil, quase impossível, mas você tem que tentar. Você merece ser feliz, ter uma vida.
     Como que para lembrar que ainda estávamos na praia de La Push o vento bateu forte e uma onda se quebrou ao longe. Em frente ao mar um grupo de adolescentes se divertia. Um deles - moreno, com traços indígenas, cabelos grandes e muito bonito - olhou em nossa direção, como se realmente pudesse nos ver. O que não era verdade, já que tecnicamente, não nos teletransportei para lá. Continuávamos na minha sala. Desde que formei, em psicologia, tenho esse "dom" de mostrar aos meus pacientes o lugar que eu queira que eles vejam.
     Bella olhou para o garoto que nos encarava e disse:
     - Obrigada Doutora, mas já sei o que vou fazer. - Já ia se levantando quando eu a puxei pelo braço e disse:
     - Bella Swan, muito cuidado com o que a senhorita vai fazer...
     - Só vou me encontrar com um velho amigo. - E saiu apressadamente.

                                                                                               Por Bárbara Aguiar 
                                       Citações de "Lua Nova" 



A autora não tem nenhum conhecimento sobre psicologia e não usou nenhum recurso para a escrita do conto. Apenas sua imaginação.

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